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A Linguagem da Moda: Como Minhas Escolhas de Roupa Refletem Minha Jornada e Personalidade

  • Foto do escritor: Paula Lavigne
    Paula Lavigne
  • há 4 dias
  • 4 min de leitura

Olá, minhas queridas! Que delícia ter vocês por aqui para mais uma conversa de coração aberto. Hoje, quero mergulhar em um tema que é muito mais do que tecido e costura: a moda. Mas não a moda das passarelas inatingíveis, e sim a nossa moda, aquela que a gente veste todo dia e que, muitas vezes, fala mais sobre nós do que mil palavras.


Sabe, desde que me entendo por gente, a roupa sempre foi uma extensão de quem eu sou, ou de quem eu estava descobrindo ser. E essa jornada, ah, essa jornada tem sido uma montanha-russa de descobertas, de me encontrar e me reinventar a cada peça. Mas, para mim, essa jornada tem um sabor ainda mais especial e complexo: a transição de Paulo para Paula.


Do Punk-Rock à Patricinha: Minha Estética Sem Rótulos, em Construção



Quem me acompanha sabe que meu estilo é uma mistura inusitada. Um dia, estou com a bota pesada, a jaqueta de couro e um delineado gatinho que grita "punk-rock". No outro, me vejo num vestido rosa pastel, com um laço no cabelo e um brilho que sussurra "patricinha". E quer saber? Amo essa dualidade!


Por muito tempo, achei que precisava escolher um lado, me encaixar em uma caixinha. Mas a vida, e principalmente a minha jornada de autodescoberta como mulher trans, me ensinou que a beleza está justamente em abraçar todas as minhas facetas. Não é sobre ser uma coisa ou outra, é sobre ser eu, em todas as minhas versões. E essa "eu" está em constante evolução, em constante descoberta.


Essa mistura não é aleatória. O punk-rock, para mim, representa a força, a rebeldia de quem não se conforma, a coragem de quebrar padrões e de lutar pelo meu espaço. É a minha armadura para os dias em que preciso mostrar ao mundo que estou aqui, firme e forte. É a energia que me impulsiona a seguir em frente, mesmo quando o caminho parece incerto.


Já o lado "patricinha"... ah, esse é o meu refúgio na feminilidade, na delicadeza, na leveza. É a Paula que ama um brilho, um toque de rosa, que se permite sonhar e que celebra a doçura de ser mulher. É a minha forma de dizer que a força não anula a suavidade, e que a feminilidade pode ser muitas coisas, inclusive um salto alto com uma camiseta de banda. É a expressão da minha alma que floresce a cada dia, revelando a mulher que sempre fui por dentro.


A Dualidade do Guarda-Roupa: Entre o Paulo e a Paula


E aqui entra um ponto que talvez muitas de vocês se identifiquem, ou que pelo menos me entendam um pouco mais. Minha jornada de transição é um processo pessoal e, por vezes, gradual. Isso significa que nem sempre consigo assumir a identidade da Paula 100% do tempo, em todos os ambientes. E, sim, isso se reflete no meu guarda-roupa.


Ainda hoje, muitas vezes, preciso lidar com as roupas de "menino". Aquelas peças que remetem a uma fase anterior, a uma identidade que já não me representa por completo, mas que ainda fazem parte do meu dia a dia por diversas razões. É um desafio, confesso. É como ter dois armários, duas identidades coexistindo e, por vezes, se chocando.


Mas, ao invés de ver isso como um obstáculo, tenho aprendido a enxergar como parte da minha jornada de descoberta. Cada vez que escolho uma peça, seja ela mais alinhada ao Paulo ou à Paula, é um momento de reflexão, de entender o que me faz sentir bem, o que me empodera, o que me aproxima da mulher que eu quero ser. É um exercício diário de autoconhecimento e de paciência comigo mesma.


A Moda Como Ferramenta de Expressão e Autenticidade na Transição


Para mim, a moda é uma linguagem. Cada peça que escolho é uma palavra, cada combinação é uma frase, e o look completo é um parágrafo da minha história. É através dela que eu comunico ao mundo quem eu sou, como me sinto naquele dia, e até mesmo o que eu quero conquistar.


E essa comunicação é poderosa, viu? Especialmente para nós, mulheres trans, que muitas vezes usamos a moda como uma aliada fundamental na construção e afirmação da nossa identidade. É um processo de experimentação, de tentativa e erro, de se olhar no espelho e finalmente ver a pessoa que sempre soubemos que éramos. É um espelho que reflete não só a imagem, mas a alma.


Não é sobre seguir tendências cegamente, mas sobre entender o que ressoa com a sua alma. É sobre se permitir brincar, ousar, e acima de tudo, se sentir confortável e feliz na sua própria pele (e na sua própria roupa!). É um ato de coragem e de amor próprio.


Minha Jornada Empreendedora e a Imagem Pessoal em Transformação


Como empreendedora e criadora de conteúdo, a minha imagem é parte essencial da minha marca pessoal. E a moda desempenha um papel crucial nisso. Ela me ajuda a transmitir profissionalismo, criatividade e, claro, a minha autenticidade. É a minha forma de mostrar ao mundo a Paula que está florescendo.


É um equilíbrio delicado entre ser reconhecível, mas também mostrar a minha evolução. Afinal, a gente muda, amadurece, e o nosso estilo também pode (e deve!) acompanhar essa transformação. O importante é que, em cada fase, a roupa continue sendo um reflexo fiel da Paula que eu sou, mesmo que essa Paula ainda esteja se descobrindo e se adaptando.


Experimentar diversos estilos tem sido fundamental para ir definindo o meu próprio. É como montar um quebra-cabeça, onde cada peça de roupa, cada acessório, cada cor, me ajuda a visualizar a imagem completa. Ainda há muito o que explorar, muitas combinações a serem feitas, muitos tecidos a serem sentidos.


Mas a jornada feminina é que faz de tudo uma experiência interessante. É o lado bacana de aprender a gostar da jornada da transição, de cada passo, de cada descoberta. É a celebração da feminilidade em todas as suas nuances, em todas as suas fases. E a moda, nesse contexto, é a minha grande aliada, a minha confidente, a minha forma de me expressar sem precisar de palavras.


E Você, Qual a Sua Linguagem da Moda?


Quero muito saber de vocês: como a moda se manifesta na sua vida? Quais são as peças que contam a sua história? Como vocês usam o estilo para expressar quem são, ou quem estão se tornando? Compartilhem comigo nos comentários! Adoro essa troca e aprender com as experiências de cada uma. Cada história é uma inspiração!


Com todo meu carinho,

Paula Lavigne Silva

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