O Silêncio que Sufoca, Entendendo a Disforia de Gênero e a Busca pela Própria Imagem
- Paula Lavigne

- 22 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Viver em uma pele que parece não nos pertencer é, talvez, um dos maiores desafios que um ser humano pode enfrentar. Para nós, que trilhamos o caminho da autodescoberta trans e da expressão de gênero feminina, o espelho muitas vezes não é um aliado, mas um juiz silencioso.

No meu canal no YouTube eu fiz um vídeo sobre o tema, "DISFORIA DE GÊNERO/IMAGEM: Quando Viver em Silêncio Dói", eu decidi retirar as máscaras e falar sobre algo que muitas de nós guardamos a sete chaves, tentei trazer isso de uma forma que pessoas que não passam por isso pudessem compreender o que sentimos na pele. Mas para entender por que essa dor é tão real, precisamos olhar não apenas para o coração, mas também para o que a ciência e a psicologia nos dizem.
O que é, afinal, a Disforia de Gênero?
De acordo com o DSM, 5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria), a disforia de gênero é caracterizada por uma forte e persistente identificação com o gênero oposto ao atribuído no nascimento, acompanhada de um desconforto profundo com o próprio sexo biológico ou com o papel de gênero desse sexo. É fundamental entender, que a ciência moderna não vê mais isso como uma "doença mental" no sentido pejorativo, mas sim como uma incongruência que gera um sofrimento psíquico intenso.
O termo "disforia" vem do grego e significa, literalmente, "difícil de suportar". Não é apenas uma vaidade ou uma vontade de mudar o visual, é uma necessidade vital de alinhar quem somos por dentro com o que apresentamos para o mundo. Quando esse alinhamento não acontece, o silêncio se torna ensurdecedor e a saúde mental começa a dar sinais de esgotamento.
A Diferença entre Disforia de Gênero e Disforia de Imagem
Muitas vezes esses conceitos se misturam, mas é importante separá-los para entendermos nossa própria jornada. A disforia de imagem pode atingir qualquer pessoa e está ligada à percepção distorcida ou insatisfação com aspectos específicos do corpo, como peso ou traços faciais. Já a disforia de gênero toca na essência da nossa identidade.
No meu caso, aos 40 anos, eu sinto essa dualidade o tempo todo. Quando a imagem no espelho reflete traços que remetem ao masculino, a sensação é de estar presa, sufocada por bandagens invisíveis. É uma luta diária para que o conceito de feminino não se limite apenas a acessórios, mas a que seja a tradução real daquilo que sinto em minha alma.
A transição, seja ela social ou hormonal, não é um caminho solitário, ou pelo menos não deveria ser. Ter pessoas que te enxergam, que te tratem como mulher antes mesmo de você se sentir totalmente segura para isso ajuda muito, é algo que pode trazer algum alívio nessa jornada. A ciência comprova que o suporte social e familiar reduz drasticamente os níveis de ansiedade e depressão em pessoas trans. A aceitação não é um destino final, mas um processo diário de autocuidado e de cercar-se de pessoas que celebram a nossa existência.
Por que não podemos mais viver em silêncio?
O silêncio é o lugar onde a disforia cresce. Quando deixamos de falar sobre o que sentimos, damos poder ao medo e ao preconceito! Sim, um preconceito interno... o qual nos faz pensar e sentir que não existe aceitação nesse nosso mundo! Principalmente quando falamos de transição mais tarde na vida. E exatamente por isso que ao compartilhar minha trajetória meu objetivo é mostrar que existe luz após todo esse sufoco.
Se você sente que está vivendo esse silêncio, saiba que você não está sozinha. Existe uma comunidade inteira pronta para te acolher e entender cada uma dessas dores.
Assista ao Relato Completo e Conecte-se, Compartilhe Para que As Pessoas que te Cercam Possam Entender esse Sentimento
Eu gravei um vídeo muito especial onde detalho como essa disforia se manifesta no meu dia a dia e como tenho feito para transformar a dor em arte e autenticidade. Convido você a assistir, se inscrever no canal e, principalmente, comentar sua experiência. Sua voz é muito importante para mim.
Assista agora:
Paula Lavigne Silva






Sei como disforia é horrível. Eu tenho as minhas também.
Que bom que você está aqui pra esclarecer pra todos o que muitas de nós sentimos.
❤️❤️❤️