Por que algumas bases cobrem tudo e ainda assim ficam leves no rosto?
- Paula Lavigne

- 7 de abr.
- 6 min de leitura
Tem maquiagem que a gente admira na hora, reconhece a qualidade, mas mesmo assim não sente vontade de repetir todos os dias.
E tem outras que parecem simplesmente se encaixar. Não porque sejam perfeitas no papel, mas porque, quando encostam na pele, fazem sentido. Foi exatamente assim que eu entendi a minha relação com base (foundation).

Nem toda alta cobertura pesa do mesmo jeito
Quando a gente fala em base de alta cobertura, parece que está tudo dentro da mesma gaveta. Mas não está!
Existem bases que cobrem por densidade. Elas depositam mais produto sobre a pele e constroem um efeito mais evidente, mais maquiagem pronta. Em algumas pessoas isso fica lindo. Em outras, pode trazer justamente a sensação de que a pele está montada demais.
Também existem bases que cobrem por pigmentação e por um "filme" mais fino. Elas entregam muita correção, espalham melhor, assentam com mais naturalidade e deixam menos relevo aparente. E, para mim, é justamente aqui que mora a diferença entre uma base que eu respeito e uma base que eu realmente amo usar.
Por que a Kiko Milano costuma funcionar tão bem para mim
A base da Kiko tem uma característica que, para mim, faz toda a diferença: ela entrega cobertura alta sem me dar a sensação de camada grossa.
Eu sinto que ela uniformiza o rosto sem endurecer a expressão. Em vídeo, em foto e até olhando de perto, o acabamento costuma ficar mais contínuo, mais liso, quase com um efeito de filtro. Não é uma pele totalmente natural no sentido cru da palavra, mas é uma pele bonita, polida e visualmente leve.
O segredo dela é a tecnologia de pigmentos suspensos. Como ela é um híbrido de base e corretivo, ela tem uma concentração altíssima de pigmentos, mas em uma base fluida que "estica" na pele.
Por que muitas vezes eu prefiro? Po que ela cria um filme "plástico ultrafino". Ela cobre tudo, mas não adiciona textura de "massa". No vídeo e na foto, ela reflete a luz de forma contínua, o que dá aquele efeito de filtro do Instagram na vida real. Ela não tenta imitar a pele; ela cria uma "segunda pele" perfeita por cima da sua. Curiosamente, eu li que a Kiko é a que os maquiadores mais indicam para as próprias clientes comprarem para usar sozinhas... Não necessariamente por que eles preferem, e sim por que ela é muito prática. Como ela já é/tem "corretivo", você economiza tempo e produto. Em vídeos e lives, ela dá um efeito de "blur" (desfoque) que as outras não dão tão facilmente. Ela é a base perfeita para se usar quando quer um resultado de impacto imediato com pouco esforço.
Onde a NARS e a Catharine Hill entram nessa história
A NARS é uma base linda e sofisticada. Ela costuma fotografar bem e tem aquela proposta de pele elegante, radiante e refinada. Só que, no meu caso, algumas vezes ela me dá a sensação de cobertura mais presente do que eu gostaria. A NARS usa uma tecnologia chamada pigmentos mimetizadores. Eles são revestidos com aminoácidos para "fundir" com a sua pele.
Como ela tenta se fundir à pele, se a sua pele estiver um tiquinho mais seca ou se você aplicar um pouco a mais, ela acaba revelando a textura natural (poros, linhas) em vez de esconder. Ela é uma base de "alta cobertura natural", o que às vezes parece "pesado" porque você vê o produto tentando ser pele, mas não sendo.
No entanto, se você perguntar para um maquiador de noivas ou de fotografia de moda qual sua base favorita? A NARS geralmente ganha de lavada. Eles preferem por que ela tem uma tecnologia de "reflexão de luz" que não estoura no flash. Para uma noiva, que vai ser fotografada de todos os ângulos sob luzes diferentes, a NARS garante que a pele pareça real, perfeita. Ela é muito versátil: o maquiador consegue deixá-la bem leve ou construir uma cobertura pesada sem que ela perca o viço. É o padrão ouro para o "luxo".
Já a Catharine Hill entra em outro território: o da maquiagem de performance. É uma base pensada para durar, resistir e segurar produções longas. Justamente por isso, ela pode passar uma sensação mais construída. Quando comparo com a Kiko, a Catharine Hill me parece mais base do que um "filtro sobre a pele".
Sabe aquela maquiagem que precisa durar 12 horas em um casamento no calor do Brasil, com a pessoa dançando e suando? É aqui que entra a Catharine Hill. É uma base de "guerra". Ela é extremamente resistente à água e ao atrito. Maquiadores que atendem muitas clientes seguidas em salões adoram a Catharine Hill porque ela é confiável e barata para o kit profissional. Ela "trava" na pele de um jeito que poucas bases importadas conseguem. É a escolha para quem quer uma pele "blindada".
A saudade que eu sentia da antiga Kat Von D fazia sentido
Quando voltei a pensar na antiga Kat Von D Lock It, entendi uma coisa importante sobre mim: eu tenho uma tendência clara a gostar de bases com muita pigmentação, cobertura firme e acabamento visualmente controlado.
O Legado da Kat Von D Lock-It: Por que ela era o meu "Reboco de Ouro"
A antiga Lock-It Foundation da Kat Von D não era apenas uma base; era um verdadeiro "tanque de guerra" em forma de maquiagem. O que a tornava icônica, e o motivo de eu ter sido tão apaixonada por ela durante toda a vida, era a sua carga absurda de pigmento (chegando a 21% da fórmula!), capaz de apagar qualquer imperfeição ou até tatuagens com uma camada mínima. Para mim, ela trazia uma segurança visual inigualável: uma cobertura total que "travava" na pele, criando aquele efeito de porcelana impecável que a gente tanto busca para produções de vídeo e fotografia, sem precisar de camadas e mais camadas de produto. Sem falar que ela não transferia de jeito nenhum, uma vez aplicada, nem tomando banho, só com demaquilante MESMO!.. era de fato uma Tatuagem rs
A Nova Era: O que esperar da Good Apple Serum Foundation
Agora, a marca evoluiu para a KVD Beauty e trouxe a Good Apple Serum Foundation como a sucessora tecnológica desse legado. Embora eu ainda não tenha experimentado essa nova versão na pele (pois ela acaba de chegar no mercado!), a promessa é de que ela carrega a mesma "alma" ultra-pigmentada da Lock-It, mas com a leveza de um soro. É a evolução natural da minha base preferida da vida: a mesma capacidade de "apagar tudo" e uniformizar o rosto instantaneamente, mas com uma textura muito mais fluida e moderna (talvez como a da "Kiko?") que tende a entregar aquele acabamento de filtro de alta definição que eu tanto amo, só que com muito mais conforto.
Talvez por isso eu tenha gostado tanto dela (KVD) numa fase da minha vida em que eu queria mais segurança visual. Quando a gente está construindo imagem, feminilidade, linguagem pessoal e até confiança, a maquiagem não é só estética. Ela também pode ser apoio.
Talvez a pergunta certa não seja qual é a melhor
Hoje eu acho que a pergunta mais útil não é qual base é objetivamente melhor. A pergunta certa, para mim, é outra: qual tipo de cobertura faz você se sentir mais bonita, mais segura e mais parecida com você mesma? De qualquer forma, essas são as bases que eu mais gostei de usar até hoje, e falo de base em todos os preços, da que considero mais em conta, até a mais premium, e claro, não necessariamente são bases ruins, todas elas cumprem bem com seu papel, e rendem MUITO!!!
Catharine Hill Chill: R$ 70,00 a R$ 95,00 (A opção profissional mais acessível)
Kiko Milano Full Coverage 2-in-1: R$ 149,90 (O melhor custo-benefício intermediário)
KVD Beauty Good Apple Serum: R$ 210,00 a R$ 260,00 (Alta tecnologia e pigmentação) ** Essa ainda preciso experimentar, é a nova versão da antiga base que era a minha preferida por anos, quando eu tiver acesso a ela, digo pra vocês o que achei ;)
NARS Natural Radiant Longwear: R$ 320,00 a R$ 360,00 (O investimento premium de luxo)
Tem gente que ama uma pele mais radiante, mais flexível, mais próxima da textura natural.
Tem gente que ama um acabamento mais selado, mais corrigido e mais uniforme.
Nenhuma dessas escolhas está errada. O que muda tudo é perceber que preferência não é frescura. Às vezes, ela é uma percepção muito refinada sobre textura, subtom, luz, presença e identidade.
Um vídeo meu que conversa com esse tema
Se você gosta de pensar maquiagem não só como produto, mas como parte da construção da imagem e da presença feminina, tem um vídeo meu que conversa bastante com esse assunto:
5 Erros Que Quase Toda Crossdresser Comete (e Como Evitar!)
No fundo, maquiagem também é memória. Às vezes, a gente não está procurando só cobertura. Está procurando aquela sensação de se olhar e pensar: agora sim, eu me reconheço aqui.
Paula Lavigne Silva




Ótimas dicas que makes... Ainda vou ter as aulas com você, quero aprender bem.
🩷☺️