O Caso Brigitte Macron e a Transfobia Velada: Reflexão de uma Crossdresser Brasileira
- Paula Lavigne

- 18 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Recentemente, um caso inusitado ganhou destaque na mídia internacional: duas mulheres foram condenadas a pagar uma multa após espalharem uma teoria da conspiração afirmando que Brigitte Macron, esposa do presidente francês, seria um homem trans.
Você pode ler a matéria completa aqui. Não sei se vocês chegaram a ver essa notícia!

A princípio, pode parecer só mais uma fake news maldosa. Mas quando olhamos mais de perto, vemos algo muito mais profundo: o uso da transgeneridade como uma "acusação", uma forma de ataque, uma tentativa de humilhação.
E é aí que essa história atravessa a minha vivência, e a de tantas outras pessoas que, como eu, desafiam normas de gênero todos os dias.
Quando "ser trans" vira ofensa
Mesmo que Brigitte Macron não seja uma mulher trans (e nunca tenha afirmado ser), a simples suposição foi usada como arma. Como se ser uma mulher trans fosse algo vergonhoso. Como se o feminino fora dos padrões cisgêneros fosse algo que precisa ser exposto, corrigido, negado.
Esse tipo de transfobia velada é mais comum do que parece. E ela machuca.
Ela machuca quando alguém olha pra gente com estranhamento.Quando tentam descredibilizar nossa identidade por termos nascido em corpos diferentes do que esperavam.Quando nosso "ser mulher" ou "se expressar no feminino" é tratado como fantasia, farsa ou fetiche.
Eu sou Paula. Crossdresser. Trans. Com certeza mulher.
Essa história me fez pensar em quantas vezes eu ouvi coisas parecidas. Em quantas vezes tive que me explicar, justificar ou esconder partes de quem sou, por medo da rejeição, por vergonha, por segurança.
Eu sou uma mulher que vive no corpo de um homem. Sou trans. Sou uma pessoa amada, uma artista, uma empreendedora, uma mulher. E nada disso é motivo de piada.
A gente não é uma "acusação". A gente é potência.
Transformar identidades trans em algo vergonhoso é só mais uma forma de manter tudo do jeitinho que o patriarcado gosta: com medo, com silêncio, com vergonha.
Mas aqui não.
Aqui, eu falo. Aqui, eu me mostro. Aqui, eu transformo dor em arte, em beleza, em voz.
E você?
O que você sente quando vê esse tipo de notícia? Já passou por algo parecido? Vamos conversar? 💌
Compartilha esse texto com quem precisa refletir sobre isso. Ou com quem, como nós, está nesse caminho lindo, desafiador e libertador de se descobrir.
Com carinho (e atitude sempre),
Paula Lavigne Silva








Quando li a notícia, na época em que aconteceu, tive o mesmo sentimento. Fiquei chocada.
É curioso como as maiorias tentam ofender minorias usando palavras que, na verdade, são apenas características. Transformam identidades em insultos. O problema nunca esteve nas características, mas na forma distorcida como a sociedade as carrega. Quando uma identidade vira xingamento, o que revela não é defeito em quem recebe, e sim preconceito em quem fala. Lamentável.
Ótima explanação, Paula!
São coisas absurdas.... É aquela história, "melhor se trans do que ladrão", como se uma coisa tivesse ligação com a outra... "Melhor ser trans do que doente" , são comparações sempre absurdas... Ser trans é o mesmo que ser cis, é uma coisa normal, não é algo ruim...
Ótimo texto, Paulinha ❤️